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sexta-feira, 13 de março de 2026

PERIGO EM CURITIBA, MAIS DE 10 ANOS E NADA MUDOU Roger Tonon cresceu ouvindo o barulho dos vagões


REPORTAGEM PUBLICADA 

https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/travessia-pirata-e-risco-constante-bq9rz3lz65a8s1kzlx44t54jy/

Morador há 37 anos do bairro Cajuru, em Curitiba, o psicólogo Roger Tonon cresceu ouvindo o barulho dos vagões passando pelos trilhos a poucos metros de casa, no trecho da ferrovia entre as avenidas Maurício Fruet e Affonso Camargo. A passagem do trem de cargas, no entanto, logo deixou de suscitar boas lembranças da infância para trazer à tona apenas episódios de risco e acidentes envolvendo pedestres, que cruzam os trilhos por uma passagem improvisada com pedaços de concreto e degraus de madeira – apenas uma entre as inúmeras travessias informais que se multiplicam pela capital, ignoradas pelo poder público mas adotadas pelos moradores vizinhos à ferrovia.

Conforme a América Latina Logística (ALL), empresa que administra os serviços ferroviários no Paraná, há 48 passagens em nível "oficial" no perímetro urbano de Curitiba, construídas para proporcionar a segurança necessária para a travessia dos pedestres sobre os trilhos. Por outro lado, não há estatísticas sobre o número de caminhos "não oficiais", implantados ao longo do tempo pelos próprios curitibanoApesar de amplamente utilizadas e visíveis à beira da ferrovia, as passagens improvisadas permanecem em uma espécie de limbo urbanístico: como não são reconhecidas pela ALL e prefeitura, as travessias não recebem melhorias e tampouco são desativadas. "Quem faz a manutenção [da travessia] são os próprios moradores. Mas é um simples carreiro, não tem iluminação ou um cuidado constante. É um lugar perigoso, todo dia passam idosos e crianças por ali", relata Tonon a respeito da passagem sobre o trilho que divide os bairros Cajuru e Capão da Imbuia.

Foi nesta travessia, inclusive, que uma adolescente foi atropelada por um trem há uma semana. Ela sobreviveu, mas teve fraturas no pé e na perna.

De acordo com a ALL, a responsabilidade pela manutenção dos cruzamentos já existentes é da prefeitura, que também teria a obrigação de implantar outros equipamentos urbanos que possibilitem a travessia em desnível da ferrovia, como passarelas – neste caso, os projetos das novas passagens precisam ser protocolados na empresa para serem analisados e posteriormente aprovados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A prefeitura afirma que o último convênio assinado com a ALL para a manutenção das travessias terminou em 2009 e, desde então, não foi renovado – o município não esclareceu se o serviço deixou de ser feito nos últimos quatro anos. Segundo a administração municipal, a concessionária entrou em abril deste ano com um pedido de renovação do convênio, que está sendo analisado pela Secretaria Municipal(Setran).

Moradores se unem para pedir melhorias

A construção de uma passagem em nível sobre o trilho do trem também é uma reivindicação antiga da Associação de Moradores Novo Horizonte, que integra 11 mil pessoas no bairro Ganchinho, em Curitiba. A região possui dois grandes loteamentos, separados por uma passagem da linha férrea. No local, há uma situação compartilhada por tantas outras comunidades na capital: o trilho isola parte dos moradores, dificultando o acesso ao comércio e aos serviços públicos que atendem famílias de ambos os lados.

Como em vários pontos de Curitiba, um "carreiro" foi feito sobre o trilho pelos próprios moradores – apesar de prática, a iniciativa está longe de oferecer segurança. Para pensar em uma alternativa, representantes da associação de moradores se reuniram há duas semanas com técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e funcionários da América latina Logística (ALL), que concordaram em repensar a travessia no trecho.

O Ippuc apresentou um projeto geométrico para a transposição da linha pelos moradores, com passagem em nível e passeios nos dois lados. A ALL autorizou a intervenção, mas ainda não há prazo para que ocorram obras no local. https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/travessia-pirata-e-risco-constante-bq9rz3lz65a8s1kzlx44t54jy/

ROGER TONON PALESTRA PARA UNASÍNDICO 2024




 

UNASÍNDICO: Aprendizado, Networking e Entretenimento Marcam os Três Dias de Evento em Brasília

O UNASÍNDICO 2024, realizado entre os dias 19 e 21 de setembro no GOB – Grande Oriente do Brasil, em Brasília, foi um marco para o setor de gestão condominial, reunindo síndicos, administradores e especialistas em um evento único de aprendizagem, networking e experiências transformadoras.

Além das palestras técnicas de altíssimo nível, que trouxeram grandes nomes do mercado, o evento contou com debates sobre as tendências e desafios da gestão de condomínios, propiciando um ambiente fértil para troca de experiências e atualização profissional. 

Dentre as atrações de destaque, o público teve a oportunidade de assistir a uma palestra com  Zico, ídolo do futebol brasileiro, que compartilhou sua visão de superação e determinação. O evento também contou com momentos de descontração, como o Stand-up Comedy com Diogo Portugal, garantindo boas risadas e aliviando o clima de intensa aprendizagem.

Outro ponto alto foi o show corporativo Flashback Tributo, que embalou os participantes, e o show de encerramento com a Banda Blitz, proporcionando uma noite inesquecível e celebrando o sucesso do evento.

Para garantir ainda mais surpresas, os participantes concorreram a brindes e tiveram a chance de ganhar prêmios especiais por meio de sorteios exclusivos.

O evento contou com a participação do psicólogo e especialista em Antropologia Cultural, Roger Tonon, que trouxe uma reflexão profunda sobre a importância das dinâmicas humanas e culturais dentro da gestão condominial.

Sua palestra destacou como a compreensão das relações sociais, culturais e comportamentais pode transformar a maneira como síndicos e administradores lidam com as demandas e os desafios diários dos condomínios. 

Com uma programação diversificada e de qualidade, o UNASÍNDICO 2024 se consolidou como um evento essencial para quem deseja se aprofundar no universo condominial, promover conexões valiosas e buscar novas formas de inovar na gestão. O evento foi um verdadeiro sucesso e deixou todos ansiosos para as edições futuras.

Roger Tonon e Luciana Godri contribuem escrevendo o capítulo 4 da Obra: Psicologia e Questões Sociais Contemporâneas - Trabalho, Organizações e Subjetividade

Organizadoras: Camila Brüning, Gislei Mocelin PolliCapítulo 4 - O FARDO DOS HERÓIS BENEVOLENTES: IMPACTOS PSICOSSOCIAIS DA ABNEGAÇÃO EXTREMA, Luciana Godri / Roger Tonon, p. 97

O estudo das questões sociais contemporâneas é essencial para a Psicologia, especialmente ao considerar as determinações sociais do sofrimento psíquico e o compromisso da profissão com a construção de uma sociedade mais justa. No Brasil, a exploração, violência, discriminação e desigualdades de classe, gênero e raça continuam a impactar profundamente a realidade social e o mundo do trabalho.

Os desenvolvimentos tecnológicos vêm mudando as formas de trabalhar, gerando preocupações, tanto pelo potencial de exacerbar desigualdades existentes quanto pela falta de regulação adequada para proteger os direitos dos cidadãos. A crise migratória, que se assevera em todo o planeta, também se faz presente no país. A resposta inadequada a esses eventos evidencia a falta de políticas públicas eficazes e a necessidade urgente de ações sustentáveis. 

A obra Psicologia e Questões Sociais Contemporâneas: Trabalho, Organizações e Subjetividade busca oferecer reflexões práticas para a atuação profissional junto ao campo do trabalho, para a promoção de políticas públicas mais justas e inclusivas, além de sensibilizar a sociedade para problemas sociais emergentes. Formada por 12 trabalhos de pesquisadores em Psicologia e áreas afins, a coletânea aborda temas diversos e urgentes, visando oferecer intervenções mais eficazes e alinhadas com as realidades contemporâneas.

  • Abnegação extrema. O fardo dos heróis benevolentes: impactos psicossociais da abnegação extrema. Luciana Godri / Roger Tonon, p. 97

O Fardo dos Herois Benevolentes: Impactos Psicossociais da Abnegação Extrema

Resumo: Não há dúvida de que a fome e a falta de teto são dores físicas experimentadas pela população de rua espalhada pelas esquinas de toda grande cidade do mundo. Nem que a dor social da rejeição e da invisibilidade são uma realidade para aquele perambula de marquise em marquise. Mas nosso estudo revela que também há dor e sofrimento psicossocial para o indivíduo que escolheu dedicar seu tempo e esforços, quando não toda sua vida, para estender a mão a essas pessoas. Ainda que amparados pela aprovação social, por praticarem o bem, protagonizando o papel de servidor do mais necessitado, esses homens precisam lidar com suas infrutíferas investidas à médio e longo prazo. Alimentam uma centena de pessoas com as marmitas que levam numa noite, mas vivem a angústia de que aquele indivíduo estará ali desprezado na noite seguinte. E então, procurando dar passos maiores, acolhem tais pessoas em situação de rua nas suas casas, com objetivo de auxiliar na reinclusão da sociedade. No entanto, o exercício etnográfico com descrições de experiências antropológicas do cotidiano junto à essa comunidade religiosa de homens que deixaram suas vidas para viver esse exercício do "amor aos pobres abandonados de rua", mostra que os membros sabem que a "saída definitiva" das ruas é quase nula, algo que leva a um questionamento institucional e/ou a uma crítica da tentativa de manutenção daquilo que é considerado a essência da fraternidade. A análise do campo acaba por expor uma série de crises causadas pelas percepções entre o ideal e o real, numa dicotomia que descortina dramas pessoais que envolvem dilemas morais, ideológicos e vocacionais que se manifestam como um sofrimento psicossocial diante de um sentimento de impotência frente à realidade.